A Vila de Itaúnas

   As dunas que constituem uma bonita paisagem escondem a antiga cidade de Itaúnas.

   Totalmente soterrada entre os anos 50 e os anos 70, a cidade renasceu, só que do outro lado do Rio Itaúnas. Da velha cidade só restam as ruínas de algumas construções, que aparecem, de vez em quando, entre as areias.

Dunas de Itaúnas
Rio Itaúnas

   Os constantes ventos também mudaram o destino do Rio Itaúnas, que virou um alagado, impedido pela areia de seguir seu curso natural. A fúria das dunas é resultado de séculos de desmatamento da Mata Atlântica desta região litorânea. Esse processo também deixou suas marcas na restinga e no mangue.

   Hoje Itaúnas, parque estadual desde 1991, atrai diversos turistas em busca de uma praia linda e das agitadas noites de forró, tradição na cidade.

O Forró
Dunas    O Parque Estadual de Itaúnas possui 3.674ha onde se pode observar diversos ecossistemas: dunas, manguezal, restinga, Mata Atlântica e alagados. Aí vivem jaguatiricas, macacos-pregos, preguiças e outros animais. Também possui uma base do Projeto Tamar, protegendo suas tartarugas marinhas.
   As praias de Itaúnas e Riacho Doce, com pequenas ondas quebrando o tempo todo, estendem-se por 25km, cercadas por dunas de até 30m de altura. Riacho Doce é mais selvagem com pequenos rios e formações de corais. Na Praia de Costa Dourada é possível ver falésias com 7m de altura, corais, pequenos rios e vegetação de mangue. Praia
História História
Até o início dos anos 50, a Vila de Itaúnas era como uma outra qualquer do litoral capixaba, onde os moradores pescavam, caçavam, tinham seus comércios, freqüentavam a única Igreja, enfim, viviam tranqüilos. A antiga vila se estendia ao longo de duas ruas principais com umas 100 casas e meia dúzia de armazéns - daqueles que vendem de tudo. De um lado o Rio Itaúnas, onde encostavam as canoas dos moradores da Vila; e de outro uma montanha de areia coberta por vegetação de restinga que separava a Vila da Praia de Itaúnas.

A utilização desta vegetação que cobria as dunas para caça e como banheiro doméstico importunava os moradores com o barulho dos tiros e o mau cheiro trazido pelo vento. Desta forma, os moradores da Vila decidiram retirar aquela vegetação e conseguiram pôr fim nestes problemas. Com o desmatamento, o vento que antes trazia o mau cheiro passou a trazer areia e alguns anos depois já não haviam mais vassouras que dessem conta de tirar a areia de dentro das casas, das varandas, quintais e ruas.

A primeira vítima foi o cemitério, localizado bem próximo à montanha de areia recém-desmatada. Os mortos que eram enterrados a sete palmos de profundidade passaram a ficar cada vez mais longe da superfície. A areia foi avançando e ao decorrer dos anos foi devorando tudo o que aparecia pela frente: a igreja, as ruas, as casas... À medida em que a areia invadia o Vilarejo, os moradores foram se mudando para o outro lado do Rio Itaúnas, onde até hoje vivem protegidos das dunas.

No decorrer de pouco mais de duas décadas o vento foi levando a montanha de areia que ficava entre a vila e a praia para cima de Itaúnas, até que em meados dos anos 70 todas as casas já tinham sido devoradas pela areia e todos os moradores já estavam instalados na nova Vila de Itaúnas, com exceção do "Seu" Tamandaré, que teimou em permanecer do lado das dunas com sua esposa, Dna. Lindanor.

Desde que o velho Vilarejo se afogou no mar de areia e o povo se mudou para o outro lado do Rio, Itaúnas se estabilizou e tornou-se novamente um povoado tranqüilo. Mas não foi por muito tempo: a partir dos anos 80 as dunas despertaram interesse e o turismo começou a chegar ao pacato povoado, fazendo-o sofrer com a exploração indevida da natureza e do seu próprio povo.

Em 1984 a administração de um hotel próximo à foz do Rio Itaúnas desviou seu curso adiantando a sua foz em cerca de 5km. Isto porque o rio chegava muito perto do hotel e estava se alargando. A partir de então um grande banhado formado pelo Rio Itaúnas nas proximidades da vila secou e as canoas tiveram que se restringir a navegar somente pelo curso estreito do rio; além disso a água do rio tornou-se mais salobra, prejudicando a vida dos peixes e, por consequência, a pesca para a subsistência do povo da vila.

Com o crescimento do interesse turístico nas dunas de Itaúnas, logo os olhos ambiciosos de experientes empresários de turismo de grandes cidades cresceram para cima daquela humilde e ingênua vila. A prefeitura também cedeu um ponto para a abertura da única farmácia na vila e, depois de funcionar por alguns meses, a proprietária substituiu a farmácia por um bar, aproveitando-se ainda do ponto cedido pela prefeitura e deixando a vila novamente distante 30km da farmácia mais próxima, em Conceição da Barra. E como estes casos seguem inúmeros outros que acabam agredindo o povo local e desequilibram a paz e a tranqüilidade com que viviam anteriormente.

O grande problema é que a chegada do turismo em um povoado como Itaúnas é, sem dúvida, um balde de água fria em tudo o que este povo tem de humilde, ingênuo, simples e sincero, ou seja, seus sentimentos mais nobres. Para viverem, os moradores se esforçam ao máximo em poder oferecer algo àqueles que visitam seu povoado, mas tudo dentro de um contexto característico de um vilarejo: preços baixos, conforto relativo e atendimento simples.

É por isso que uma visita à Itaúnas deve ser feita com muita consciência por parte do turista, visando o bem-estar destes moradores, respeitando-os e ajudando-os a levarem seus negócios à frente.